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67 - O SERMÃO DO MONTE - parte 17


OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE

Mateus 5:38-42

     A declaração do antigo Testamento, “olho por olho, dente por dente”, aparece nos trechos de Êxodo 21:24, Levítico 24:20 e Deuteronômio 19:21. Essa declaração foi feita aos filhos de Israel por intermédio de Moisés, e a coisa mais importante que precisamos fazer agora é determinar o motivo pelo qual esse preceito foi outorgado.

     O principal intuito desse preceito mosaico era de controlar os excessos. Neste caso particular, tinha por fim controlar a ira, a violência e a vingança. 

     Todos nós temos tornado culpados desse pecado. Se qualquer malefício for feito contra nós, o revide faz parte de nosso instinto natural; e não só isso, mas também queremos acrescentar mais do que é justo, nesse revide. Era isso que homens e mulheres faziam naqueles dias, e é o que continua fazendo até hoje.

     Basta uma pequena ofensa para que a pessoa ofendida procure tirar vingança, incluindo danos físicos ao ofensor, podendo até mesmo tirar-lhe a vida. Toda essa tendência para a ira e para a cólera, para a retribuição e para a retaliação encontra-se no âmago mesmo da natureza pecaminosa da humanidade. 

     Não é apenas a natureza que se caracteriza pela “lei das presas e garras sangrentas”, mas a própria humanidade assim se caracteriza.

     Consideremos as crianças, por exemplo. Desde a mais tenra idade as crianças manifestam esse impulso para a vingança; esse é um dos mais odiosos e repelentes resultados da queda do homem e do pecado original. Provérbios 20:2b 

     Ora, essa tendência estava se manifestando entre os filhos de Israel, e há exemplos da mesma que nos são fornecidos nas páginas do Antigo Testamento. Portanto, a finalidade desse preceito mosaico foi o de controlar e reduzir esse pendor para a mais caótica condição, devolvendo certa ordem à sociedade dos homens. 

     O Deus da graça, também o Deus da lei, e essa é uma das ilustrações da lei. Deus não somente haverá de eliminar inteiramente o mal e o pecado, com todos os seus resultados, mas também, nesse ínterim, haverá de controlá-los e impor-lhes limites.

     Podemos perceber isso no livro de Jó, onde o próprio Satanás não pode fazer certas coisas, a menos que receba permissão para tanto. O diabo está sujeito ao controle divino, e uma das facetas mais claras dessa realidade é que Deus impõe leis. Jó 1:12; 2:4-7.

     Deus estabeleceu o presente preceito, o qual insiste que essas questões precisam ser controladas por um certo princípio de igualdade e equidade.

     Por conseguinte, se um homem chegasse a cegar a outrem, não deveria ser morto por esse motivo. Antes, seria “olho por olho”. Ou então, se viesse a arrancar um dente de seu semelhante, a vítima só tinha o direito de exigir que o ofensor perdesse um de seus dentes. O castigo era sempre equivalente à ofensa, sem jamais excedê-la

     Esse é o propósito deste preceito mosaico. O princípio de justiça tem de fazer parte do quadro, e a justiça nunca ser mostra excessiva em suas exigências. Deve haver correspondência entre a gravidade do crime e o castigo imposto contra o mesmo, entre o erro praticado e a providência tomada a respeito do erro.

     O objetivo daquele estatuto da lei não era que a retaliação fosse rigidamente executada olho por olho ou dente por dente, com insistência sobre isso em cada caso; a sua finalidade era apenas evitar esses terríveis excessos, esse terrível espírito vingativo que os homens manifestam, coibindo-o e mantendo-o dentro de limites razoáveis.

     Porém, a faceta mais importante da questão é que esse preceito não foi dado para os indivíduos, mas antes, foi dirigido aos juízes, que eram os responsáveis pela lei e pela ordem entre os indivíduos. 

     O sistema de juízes foi estabelecido entre os filhos de Israel, e então, quando surgiam disputas e contendas entre o povo, tudo era deixado nas mãos dessas autoridades responsáveis, a fim de que julgassem as causas.

     Aos juízes competiam averiguar se a justiça estava sendo efetuada olho por olho e dente por dente, e não mais. Essa porção da legislação mosaica, pois, visava aos juízes, e não aos indivíduos em particular. II Crônicas 19:4-11.

     O seu principal objetivo era introduzir esse elemento de justiça e retidão em uma situação até então caótica, arrebatando dos homens a tendência de tomarem a lei em suas próprias mãos, agindo como melhor lhes parecesse.

     No que dizia respeito ao ensino dos fariseus e escribas, a dificuldade central deles e que se inclinavam por ignorar totalmente o fato que esse ensino se destinava exclusivamente aos juízes, mas antes, dele faziam uma questão de aplicação pessoal. 

     E não somente isso, mas também, à sua maneira tipicamente legalista, consideravam como questão de direito e de dever executar "olho por olho" e "dente por dente". Para eles, tratava-se mais de um direito sobre o qual deveriam insistir do que algo que servia para restringir os excessos.

NOTA: A perspectiva deles era legalista, pois só pensavam em termos de direitos - uma manifestação da atitude egoísta do ser humano.

     Portanto, tornavam-se culpados de dois erros, quanto a esse particular. Transformavam uma injunção negativa em um mandamento positivo, e, além disso, interpretavam-na e executavam-na eles mesmos. E ainda ensinavam outras pessoas a agirem dessa maneira, ao invés de providenciarem para que a execução desse preceito fosse uma prerrogativa dos Juízes, que eram os responsáveis pela lei e pela ordem.

     O ensino deste preceito simplesmente não pode ser observado por quem não possuía essas qualidades. Nosso Senhor jamais pediu do homem natural, que é marionete do pecado e de Satanás, que está destinado ao inferno, que ele viva uma vida dotada dessas elevadíssimas virtudes, pois tal indivíduo simplesmente não é capaz de atender a essa ordem divina.

     Devemos ser homens transformados, nascidos de novo, antes de podermos viver tal vida. Portanto, advogar esse preceito como se fosse uma norma a ser observada por uma nação ou país, não é nada menos do que uma heresia.

     Esse ensino é herético como segue: Se solicitarmos de um indivíduo que não nasceu do alto que não recebeu o Espírito Santo, para que ele viva a vida cristã, então estaremos virtualmente dizendo que um homem pode justificar-se através de suas próprias obras, e isso é heresia.

     Nosso Senhor fixou a verdade acerca disso de uma vez para sempre, em Sua entrevista com Nicodemos. Nicodemos virtualmente estava a ponto de indagar ao Senhor: “Que devo fazer para que me assemelhe a Ti?” E então, por assim dizer, o Senhor lhe respondeu: “Meu amigo não pense em termos do que você é capaz de fazer; pois você nada pode fazer; antes, importa-lhe nascer de novo”. Isso posto, exige conduta cristã da parte de quem não nasceu de novo – e, pior ainda, de uma nação ou de um grupo de nações - tanto é algo impossível quanto é algo errado.

     Todavia, aquele preceito que diz, “Olho por olho, dente por dente” continua sendo aplicável ao mundo, a uma nação qualquer ou a um indivíduo incrédulo. Toda essa gente continua sujeita àquela justiça que restringe e refreia o indivíduo, preservando a lei e a ordem e controlando os excessos. Em outras palavras, é por essa razão que o crente (discípulo de Jesus) precisa crer na lei e na ordem, também Jamais deveria mostrar-se negligente em seus deveres como cidadão de um estado qualquer.

     É nesse ponto que tem penetrado todo esse caos e toda essa confusão dos dias modernos. Pessoas que não são crentes falam de maneira muito vaga acerca deste ensino de Cristo concernente à nossa vida diária, interpretando-o como se indicasse que não se deveria punir uma criança desobediente, que não deveria haver lei ou ordem, e que primeiramente teríamos de amar a todos, transformando-os em indivíduos suaves e meigos. 

     É necessário que impere o preceito que diz "olho por olho, dente por dente”, até que haja intervenção do Espírito de Jesus na via do indivíduo. E então algo bem mais elevado é esperado de nós; mas não antes disso. A lei desmascara o perverso e o mantém sob controle, e o próprio Deus foi quem assim determinou; e todas as "autoridades" que existem devem executar a vontade divina.

     Esse ensino, que concerne ao crente individual, e a ninguém mais, só pode ser aplicado a ele, em suas relações pessoais, e não em suas relações como cidadão de seu país.

     O ensino de nosso Senhor nesta passagem diz respeito ao comportamento do crente somente no tocante às suas relações pessoais; na verdade, nesta afirmação de Jesus, as ralações entre crente e o estado nem ao menos são consideradas ou mencionadas. Nada mais podemos encontrar aqui, salvo a reação do crente como indivíduo, as coisas que forem feitas contra a sua pessoa. 

     A chave para a compreensão do mesmo se acha no versículo 42, onde se lê: “Dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.” Isso se reveste de suprema importância. Quando você lê esse parágrafo, tem a impressão de que o versículo 42 não deveria estar ai, de jeito nenhum. “Ouvistes que foi dito: Olho por olho dente por dente. Eu, porém, vos digo: Não resistais ao perverso...

CONCLUSÃO

     Nosso Senhor estava aqui desvendando e desmascarando aquele horrendo fator que controla o homem natural, ou seja, o próprio “eu”, aquele medonho legado que herdamos da queda do homem, e que leva o ser humano a vangloriar-se em si mesmo e a exibir-se como se fora um deus. 

     O homem natural protege esse "eu" o tempo todo, e de todas as maneiras possíveis. Todavia, ele não faz assim somente quando é atacado ou quando alguma coisa lhe é subtraída; pois também age assim no tocante às suas possessões materiais Se alguém quiser emprestar dele alguma coisa, sua reação instintiva será: “Por que eu deveria desfazer-me de minhas possessões e empobrecer?" O próprio "eu" ocupa o primeiro plano o tempo todo.

     Jesus Cristo respondeu: Eu gostaria que vocês percebessem que se vocês são Meus discípulos autênticos, então terão que fazer morrer o próprio “eu”. Ou então, se você assim o preferir, é como se Jesus tivesse dito: “se alguém quiser ser Meu discípulo, então negue- se a si mesmo (juntamente com todos os direitos que têm sobre a sua própria pessoa) tome a sua cruz e siga-Me”.

Restruturado e reformulado, para uso interno da

Igreja Evangélica Comunidade Encontros Com Jesus.

No amor em Cristo,

Pr. Dalton Ramos

 

Versículo do Dia

Mt 18:4

"Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus. "



by Estudo Bíblico

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