Bem-vindos à Igreja Evangélica Comunidade Encontros com Jesus

53 - O SERMÃO DO MONTE - parte 2

“Bem-aventurados (felizes) os que choram, porque eles serão consolados.” (Mt 5:4)

Introdução

     A primeira bem-aventurança ou característica do discípulo de Jesus está ligada a segunda. A segunda marca do caráter cristão no ensino de Jesus só existe por causa da primeira.

     NOTA: O soberbo, orgulhoso dá indícios que não nasceu de novo. Tiago 4:6, I Pedro 5:5, Provérbio 18:12.

     No estudo anterior observamos a felicidade em ser humilde de espírito. Hoje veremos o que significa “feliz os que choram”.

     Não há como negar, o ensino de Jesus até hoje choca a opinião pública em sua maioria.

     Vivemos num mundo onde se pergunta quanto uma pessoa ganha, a primeira resposta é: “eu ganho pouco”. Vivemos num mundo em que de maneira geral todos ganham muito pouco. E todos querem mais, embora Jesus declarou que feliz é ser humilde de espírito. Não temos como negar o impacto de suas palavras sobre a mentalidade popular tanto de seus dias quanto de hoje.

     Aquele que disse felizes são os humildes, também disse: “feliz são os que choram”. Ora, crê-se por aí que felizes são os ricos e aquele que é feliz não chora. Ao abrir a sua boca Jesus nos surpreende a todos. Ficamos todos surpresos e maravilhados com o caráter surpreendente e interpelativo de sua palavra.

     A filosofia do mundo estipula o seguinte: esqueça-se das suas dificuldades, volte às costas para elas e faça tudo quanto estiver ao seu alcance para não ter de enfrentá-las.

     O mundo opina: as coisas já são bastante ruins para que a gente ainda fique procurando tribulações. Assim sendo, seja tão feliz quanto lhe for possível.

     A organização da vida, em todos os seus aspectos, a mania pelos prazeres, a busca pelo dinheiro, a energia e o entusiasmo despendidos na tentativa de entreter as pessoas, são apenas outras tantas expressões do grande alvo do mundo, isto é, evitar essa ideia da necessidade de chorar, essa atitude de quem se lamenta.

     Não obstante, diz o evangelho: “Felizes os que choram”. Verdadeiramente, esses são os únicos que são felizes! Se examinarmos o trecho paralelo a esse, no sexto capítulo de Lucas, veremos que essa bem-aventurança foi vestida em palavras ainda mais incisivas, porquanto ali é empregada a forma negativa: “Ai de vós, os que agora rides! Porque haveis de lamentar e chorar”. (Lc 6:25)

O que significa felizes os que choram

     Há pessoas que reconhecem que são humildes de espírito, sabem de seus pecados. Alguns são capazes de enumerá-los. Em termos religiosos elas se acham pecadoras, carentes da graça de Deus, mas tal consciência não passa do nível intelectual. Não há consciência emocional. Mais do que reconhecermos os nossos pecados, precisamos senti-los.

     Ao falar: “felizes os que choram”, Jesus estava dizendo: felizes são aqueles capazes de não apenas reconhecerem intelectualmente suas fraquezas, mas de expressá-las num nível emocional e espiritual. Há exemplos na Bíblia de pessoas que tinham esta consciência emocional e espiritual dos seus pecados.

     Davi, o rei de Israel, não apenas disse ao profeta Natã: “Pequei contra o Senhor” (II Samuel 12: 13). Ele foi além, escreveu o Salmo do arrependimento onde fala com tristeza de seu pecado (Salmo 32; 51).

     Pedro, o apóstolo, fez mais do que simplesmente reconhecer seu pecado. A Bíblia diz que ele chorou amargamente (Lucas 22: 62).

     Há mais do que simplesmente uma verdade teológica na pena (caneta) do apóstolo Paulo quando escreveu: “miserável homem que eu sou” (Romanos 7:24). Há emoção, sentimento, tristeza pelo seu estado pecaminoso.

O choro é algo puramente espiritual

     Uma vez mais se torna evidente que encontramos aqui algo inteiramente espiritual em seu significado. Nosso Senhor não disse que aqueles que choram por motivo de alguma tristeza é que são felizes, como se esse “chorar” fosse um sentimento de pesar devido a perda de algum ente querido, ou prejuízo financeiro, ou perda material, ou outra coisa decorrente com este mundo. Ele também não quis ensinar que felizes são os desajustados emocionalmente, os que são cheios de traumas emocionais de infância ou da vida adulta.

     NÃO, mas está em pauta a tristeza espiritualmente provocada. Da mesma maneira que a humildade de espírito não tem qualquer ligação com questões financeiras, visto que se trata de uma atitude inteiramente espiritual. Novamente temos aqui uma qualidade espiritual, a qual nada tem a ver com a nossa vida natural neste mundo. (II Co 7:10)

     Todas essas bem-aventuranças referem-se a uma condição espiritual, a uma atitude espiritual. Na presente bem-aventurança são elogiados aqueles que coloram em seu espírito; e esses, esclarece o Senhor Jesus Cristo, são felizes.

Precisamos ser humildes de espirito, antes de começarmos a ser cheios do Espirito Santo

     É necessário que a convicção de pecado anteceda a conversão, pois o real senso do pecado precisa manifestar-se antes que haja alegria na salvação. Isso faz parte da essência do Evangelho.

     Aqueles que tiverem de converter-se, tornando-se verdadeiramente felizes, são aqueles que antes de tudo, lamentam-se, chorando. A convicção é uma medida preliminar e essencial a fim de que haja verdadeira conversão da alma.

     As escrituras ensinam que, na qualidade de discípulos de Jesus, estamos sendo moldados segundo a imagem e o padrão do próprio Senhor Jesus. Discípulo é aquele que se assemelha ao Senhor Jesus Cristo. Ele é o “... primogênito entre muitos irmãos”. (Romanos 8: 29). Esse é o padrão final que você e eu temos de seguir. Pois bem, examinaremos a pessoa de Cristo. O que encontramos n'Ele?

O agir do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo

     Uma das coisas que n'Ele observamos é que não há qualquer registro de que Ele alguma vez se tenha rido. Lemos que Ele ficou irado; lemos que Ele padeceu fome e sede; mas não há registro algum de alguma gargalhada que Jesus tenha soltado. Sei que o argumento baseado no silêncio pode ser perigoso, mas, apesar disso, devemos dar a devida atenção ao fato. Recordemo-nos daquela profecia acerca de Cristo, no livro do profeta Isaías, onde somos informados de que Ele seria “... homem de dores e que sabe o que é padecer...” (Isaías 53:3). Ali também podemos ler que a sua aparência ficaria de tal modo desfigurada que Ele não pareceria atrativo a ninguém. Isso foi profetizado a respeito de Jesus, e, ao compararmos o que dizem sobre Ele os registros de NT, vemos que essas predições foram literalmente cumpridas.

     Lemos que Ele chorou à entrada do sepulcro de Lázaro (João 11: 35) Jesus não chorou porque o seu amigo tinha falecido, portanto Ele estava ao ponto de ressuscitá-lo dos mortos. Jesus sabia que no instante seguinte, Lázaro haveria de retornar à vida.

     OBS: Quem fala que o choro foi pela perda é a multidão, como sempre. Lembra-te de algo?

     Ele chorou defronte de Jerusalém, ao contemplar a cidade, pouco antes da sua morte (Lucas 19: 41-44). Esse é o quadro que os Evangelhos nos fornecem sobre Jesus, e se espera que sejamos semelhantes a Ele. 

     NOTA: Você percebe de pronto que o Senhor Jesus não se parece em nada com essa atitude que tantos que se dizem seguidores d'Ele têm nesta vida? Pois os tais choram por perdas no mundo, já Jesus chora pelos perdidos que estão no mundo.

     Examinemos também o ensino do apóstolo Paulo, conforme é possível deduzir-se, por exemplo, de Romanos 7. Se tivermos de ser discípulos autênticos, cumpre-nos ser como esse apóstolo, como os demais apóstolos e como os santos de todos os séculos. Recordemo-nos, portanto, que o discípulo é um indivíduo que sabe o que significa clamar: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” Isso nos mostra um pouco o que se deve entender por chorar espiritualmente. Ali estava um homem tão triste consigo mesmo que chorou de agonia.

     Esse “choro” espiritual é algo que, necessariamente, resulta do fato de ser alguém “humilde de espírito”. Esse é o resultado inevitável. Quando contemplo Deus e a sua santidade, e em seguida contemplo a vida que se espera que eu viva, então é que realmente vejo a mim mesmo, a minha miserabilidade, sempre carente da vida Dele.

     Em qualquer momento, descobrimos que fazemos muitas coisas que jamais deveríamos ter feito. Tomará consciência de haver nutrido pensamentos, ideias e sentimentos bastante indignos. E, ao perceber tais coisas, qualquer discípulo sente-se profundamente afetado pelo senso de tristeza e pesar, por haver sido capaz de tais ações ou pensamentos; e isso o leva a contristar e chorar amargamente. Lembra-se de Pedro? (Lucas 22:60-62)

O chorar no espirito nos leva a uma autolibertação

     É preciso que o discípulo se conscientize desses princípios malignos que nele existem. O discípulo, pois, vê-se obrigado a perguntar de si mesmo: O que há em mim que me leva a agir dessa maneira? Por que me deixo irritar tão facilmente? Por que tenho tão mau temperamento? Por que não sou capaz de controlar-me? Por que aninho esses pensamentos maldosos, invejosos e ciumentos? O que está havendo comigo? Desta maneira, os discípulos descobrem o conflito em seus próprios membros, e termina por abominar a sua condição, chorando por causa dela.

     Contudo, o discípulo não para nem mesmo aí. Aquele que é discípulo verdadeiro também chora por causa dos pecados alheios. O discípulo não cessa ao fazer considerações sobre si mesmo, mas enxerga as mesmas misérias em outras pessoas. O discípulo verdadeiro preocupa-se por causa do estado da sociedade e do mundo, e quando, lê os jornais, não estaca diante daquilo de que tomou conhecimento. Ele diz: “Como os homens são capazes de desperdiçar suas vidas dessa maneira, neste mundo”. Sim o discípulo verdadeiro chora devido aos pecados de seus semelhantes.

     Eis a razão por que nosso Senhor mesmo chorava. Eis a razão por que Ele foi um “...homem de dores e que sabe o que é padecer...”, esse foi o motivo que o levou a chorar diante do túmulo de Lázaro. Jesus contemplou aquela coisa horrenda, feia e imunda denominada pecado, a qual invadiu nossas vidas e introduziu na vida a própria morte, perturbando e infelicitando a vida. Jesus chorou diante disso e gemeu em seu espírito. Ao contemplar a cidade de Jerusalém, que o havia repelido, tornando-se assim possível de condenação, Jesus chorou. Ele chorou; e outro tanto faz todo àquele que é seu verdadeiro seguidor, todo aquele que recebeu a natureza de Cristo.

     Os homens do mundo prosseguem na sua velha atitude, não querendo enfrentar a verdadeira situação e ignorando tudo quanto acontece ao seu derredor, enquanto tentam sentirem-se felizes. O lema deles é o seguinte: “Descansa, come, bebe e regala-te” (Lc 12: 19). O mundo RI e então diz: “Não nos devemos preocupar demasiadamente com essas coisas”. Ora, o choro espiritual é a atitude oposta a isso. A atitude do discípulo é essencialmente diferente da atitude do “evangélico” e do homem mundano.

     O discípulo que realmente chora por causa de seu estado e condição pecaminoso, é o discípulo que haverá de arrepender-se; e na verdade, ele já começou arrepender-se desde o momento em que caiu em si (Lc 15: 17-19).

     O discípulo que verdadeiramente se arrepende em resultado da obra do Espírito Santo é um discípulo que certamente será conduzido aos pés do Senhor Jesus Cristo. Tendo-se conscientizado de sua extrema pecaminosidade e carência na vida.

     OBS: A nossa mais profunda tristeza leva-nos ao regozijo, porquanto sem tristeza não pode haver regozijo.

     Nota: O discípulo não é uma pessoa superficial sob hipótese alguma, pelo contrário, é alguém fundamentalmente sério e feliz. Como se percebe a alegria do discípulo consiste em um júbilo santo, e a felicidade do discípulo consiste em uma bem-aventurança séria.

Serão Consolados

     Jesus não apenas disse: “Felizes serão os que choram”. Ele acrescentou uma promessa a esta bem-aventurança. Ele disse: “Eles serão consolados”. Não teria sentido tal bem-aventurança sem tão apropriada promessa. Não haveria felicidade em chorar os pecados, caso não tenha consolo.

     Louvado seja Deus! Ele promete consolo àqueles que choram suas misérias espirituais. Há várias passagens que tratam do tema: o consolo do Senhor. Vejamos algumas destas passagens: 

     Ana, a mãe do profeta Samuel, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou muito, pedindo a Deus um filho, pois era estéril.

     A esterilidade feminina no Antigo Testamento era considerada maldição de Deus, falta grave. Mas a Bíblia diz que Deus a consolou dando-lhe um filho (I Samuel 1: 10-18)

     Israel foi disciplinado por Yhavéh e levado para o exílio por causa da idolatria e de outros pecados. Depois do arrependimento ainda no exílio, Deus chama os seus profetas e dá-lhes uma mensagem para o seu povo:

     “Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus” (Isaías 40: 01)

     O Salmista disse: O choro pode durar uma noite; mas o cântico de júbilo vem ao amanhecer” (Salmo 30: 5)

     Davi, o rei de Israel, antes de confessar os seus pecados, andava triste. “Enquanto guardei silêncio, consumiam-se os meus ossos pelo meu bramido o dia todo” (Salmo 32: 3,4). 

     Depois que ele confessou seus pecados, Yhavéh o perdoou e o encheu de alegres cânticos de livramento (Salmo 32:5,6,7). Daí a sua palavra: “Feliz aquele cuja transgressão é perdoada” (Salmo 32:1). O poderoso perdão de Deus é um consolo que vai além da nossa imaginação.

     Quando Jesus foi fazer uma refeição na casa de um fariseu chamado Simão, uma mulher pecadora ficou aos pés chorando. No meio da refeição, Jesus disse àquela mulher que derramava lágrimas de arrependimento: “Perdoados são os teus pecados”. E mais: “A tua fé te salvou; vai em paz (Lucas 7: 44,48,50). Que consolo extraordinário!

     Sim verdadeiramente felizes são os que choram, eles serão consolados.

     O próprio apóstolo Pedro foi consolado. Ele negou a Jesus três vezes, mas chorou amargamente arrependido. Jesus ao aparecer-lhe às margens do Tiberíades o consola quando lhe dá tríplice chance de reafirmar o seu amor por ele, reparando assim sua tríplice negação (João 21: 14-17).

     O Espírito Santo de Deus, enviado por Jesus, Ele não apenas nos convence do pecado, mas Ele nos consola e produz em nosso interior alegria e facilidade.

     É por isso que Ele é chamado de o consolador, e o seu fruto entre outras coisas, implica em alegria (João 15: 7-14; 15-2; Gálatas 5: 22).

Restruturado e reformulado, para uso interno da

Igreja Evangélica Comunidade Encontros Com Jesus.

No amor em Cristo,

Pr. Dalton Ramos

 

Versículo do Dia

Rt 2:4

"E eis que Boaz veio de Belém, e disse aos segadores: O SENHOR seja convosco. E disseram-lhe eles: O SENHOR te abençoe. "



by Estudo Bíblico

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